Ò Paí, Ó Orla: Érico Brás admite erros, critica mão de obra e pede segunda chance para restaurante

O ator e empresário baiano Érico Brás decidiu fazer um movimento pouco comum no setor de bares e restaurantes: admitir publicamente, através de um vídeo publicado nas suas redes scciais, que o projeto do seu Ó Paí, Ó Orla, começou com erros estruturais. Cinco meses após a abertura na nova Orla de Pituaçu, o negócio passou por uma reformulação que envolveu desde o cardápio até o modelo de atendimento.

“A gente começou errado. Reconhecer erro é uma coisa que, na teoria, está na vida de todo mundo, mas na prática é bem difícil — e pra mim é tranquilão”, afirma o empresário. Segundo ele, a principal falha foi tentar replicar na praia o formato do restaurante original, no Pelourinho, onde o Ó Paí, Ó funciona em uma estrutura maior, com operação já consolidada. “A gente desceu pra orla marítima com o formato de restaurante do Pelourinho”, resume.

A mudança de cenário, no entanto, revelou diferenças fundamentais no comportamento do público e no ritmo de consumo. Ao contrário do restaurante tradicional, onde o cliente permanece por períodos mais curtos, o quiosque de praia exige uma dinâmica contínua, com frequentadores que passam horas no local. “Na praia, a pessoa chega de manhã, consome ao longo do dia, almoça, fica pra música. Essa diferença básica de perfil fez a gente se atrapalhar”, explica.


Outro ponto central da reformulação foi a equipe. Brás aponta a qualificação da mão de obra como um dos principais desafios enfrentados. “A nossa mão de obra era muito ruim. Atendimento é um negócio bizarro em Salvador inteira. As pessoas dizem que são garçons, mas não têm noção mínima do que é ser um garçom”, diz. O empresário afirma que optou por substituir funcionários e reestruturar o time, após quitar os compromissos trabalhistas.

“Tem gente que chega dizendo que é auxiliar de cozinha e não sabe fritar um ovo. Diz que é garçom e não sabe uma marca de cerveja. […] Tem um fator importante, que é a minha presença. Conversando com amigos que entendem do ramo, me disseram: ‘cara, é barriga no balcão’”, relata o empresário, afirmando que, enquanto grava duas séries – uma para Disney e outra para a Netflix – abre mão da folga e do tempo com a família para estar presente no quiosque.

Na cozinha, a adaptação também foi necessária. O cardápio passou por ajustes para atender ao perfil da orla, sem perder a identidade construída no Centro Histórico. Pratos como a moqueca e a feijoada foram mantidos como pilares, valorizando receitas tradicionais e evitando releituras consideradas excessivas. A carta de drinks também foi integralmente incorporada à nova unidade.


Além da gastronomia, a proposta do espaço inclui a construção de uma experiência cultural. A musicalidade, marca do Pelourinho, foi adaptada para a orla com apresentações ao vivo, incluindo shows solo e rodas de chorinho em fins de semana alternados. A intenção é consolidar o quiosque como ponto de convivência, integrando comida, bebida e programação artística.

Paralelamente à reformulação da unidade na praia, Brás também reforça o posicionamento do negócio original. Ele relembra as críticas recebidas ao adotar o conceito de “terreiro gourmet” no Ó Paí, Ó e defende a valorização da culinária de matriz afro-brasileira como expressão de qualidade. “Tudo que é gourmet tem qualidade. E por que não classificar as iguarias do terreiro de candomblé com qualidade?”, questiona.

O empresário também faz uma crítica direta à falta de apoio ao empreendedorismo negro, especialmente após a expansão do negócio. Segundo ele, parte do público que se declara defensor da causa não se converte em consumidor. “Essas pessoas não fazem questão de, no quinto dia útil, ir lá gastar um centavo”, afirma.

Apesar dos desafios iniciais, Brás garante que o projeto segue em evolução e aposta na adaptação como caminho para consolidar a operação na orla. Com mudanças em curso e ajustes contínuos, a expectativa é alinhar a experiência oferecida ao perfil do público e ao potencial turístico e cultural da região.

Veja vídeo em que o empresário admite problema e anuncia as mudanças feitas no quiosque.

Fotos: Reprodução

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