O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab) realizou a repatriação de 666 obras de 135 artistas afro-brasileiros. Os itens passarão a compor o acervo do museu, com previsão de serem expostas entre o final de fevereiro e o início de março. O anúncio oficial foi feito em coletiva realizada na manhã desta segunda (26), com presença da Ministra da Cultura, Margareth Menezes.
As peças eram parte de uma coleção privada organizada pelas norte-americanas Bárbara Cervenka, artista plástica, e Marion Jackson, historiadora da arte, e chegaram a Salvador no dia 12 de janeiro. Os itens abrangem diversas tipologias como pinturas, esculturas, fotografias, com autoria de nomes como Goya Lopes, Raimundo Bida e Manoel Bonfim.
“Repatriar, em latim, significa voltar ao lugar de pertencimento. Hoje, anunciamos a maior repatriação de obras de arte da história do Brasil. Trata-se de uma devolução com um forte valor simbólico histórico. Diferente de outros processos de repatriação, esses itens saíram de forma legal do Brasil e retornam através de uma decisão consciente das colecionadoras”, disse a diretora artística do Muncab, Jamile Coelho.
A princípio, as peças ficarão de forma permanente no Muncab, havendo a possibilidade de conversas para que possam circular em outros equipamentos. De acordo com a ministra, o processo de retorno das obras envolveu aspectos legais, técnicos, logísticos e diplomáticos, contando com a colaboração dos ministérios da Fazenda e das Relações Exteriores.
“Esse é um assunto que é falado em todas as ações conjuntas que existem no mundo. Estamos falando de uma ação histórica, que dá visibilidade e reconhece e salvaguarda a memória e o legado de artistas brasileiros, em especial artistas afro-brasileiros, muitas vezes esquecidos e negligenciados pela arte hegemônica. Receber esse acervo reforça a missão do museu de contar a história do país por uma perspectiva democrática, inclusiva e plural”, falou.
Foto: Divulgação – Con/Vida
