O Brasil e os Estados Unidos se encontram no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab). A exposição “Ancestral: Afro-Américas – Brasil | Estados Unidos”, inaugurada na última sexta-feira (26), reúne artistas dos dois países em torno da arte afrodiaspórica, em diferentes linguagens. A mostra pode ser visitada até 1º de fevereiro de 2026, de terça a domingo, das 10h às 16h30.
Com curadoria de Ana Beatriz Almeida e Lauren Haynes e direção artística de Marcello Dantas, o projeto foi estruturado em três eixos: Sonho, Corpo e Espaço. Almeida explica que a ideia surgiu do desejo de celebrar os 200 anos desde o reconhecimento do Brasil como nação independente pelos Estados Unidos. As obras foram reunidas a partir das aproximações entre os dois países, com o objetivo de criar reflexões sobre as experiências dos descendentes de africanos escravizados nas diversas diásporas.
“Essas comunidades têm em comum, primeiramente, a percepção de que laços não genéticos produzem noções familiares”, afirma. “Muitas obras também abordam o contexto da Bahia, que é muito significativo. Elas tratam da cultura gospel norte-americana e mostram que o papel da igreja nos Estados Unidos se assemelha ao do Candomblé na Bahia: espaços de acolhimento, de transmissão de saberes indígenas africanos e de criação de uma arte que não é canônica”, detalha a curadora.


A exposição apresenta mais de 130 obras de artistas como Mestre Didi, Simone Leigh, Abdias do Nascimento, Jayme Figura, Bispo do Rosário, LeRoi Johnson, Sônia Gomes e Carrie Mae Weems. As produções exploram diferentes técnicas e formatos, como fotografia, pintura, audiovisual, escultura, além de instalações imersivas e interativas. A exposição “Ancestral” é patrocinada pelo Google e pela BB Asset. (Elaine Sanoli)
