O Museu de Arte da Bahia (MAB) abriu ao público, nesta quarta-feira (12), uma nova exposição que lança luz sobre a relação entre Omolu, ancestralidade e os diferentes saberes de cura preservados pelas religiões de matriz africana. Intitulada “Flores que Curam”, a mostra pode ser visitada gratuitamente até 12 de setembro, em Salvador.
A exposição foi inaugurada em uma noite que reuniu integrantes de comunidades de terreiro, artistas, pesquisadores e outros convidados. A programação de abertura contou com um xirê e estabeleceu, desde o primeiro momento, uma conexão entre o espaço do museu e as manifestações culturais e religiosas que dão origem à mostra. Omolu, orixá associado à saúde, à cura e aos processos de transformação, ocupa o centro dessa narrativa.
Em vez de apresentar apenas uma perspectiva sobre a divindade, a exposição reúne diferentes registros produzidos a partir da vivência das comunidades. A seleção tem curadoria de Antônio Marcos de Oliveira Passos e coordenação geral de Júnior Aficodé, com fotografias de Robson Maciel, Lucas Obá Izo e Cristian Dessa. O conjunto inclui imagens do Sabejé, ritual público relacionado à cura, e da carreata “Ritual Omolu: Saúde e Esperança de um Povo junto às Casas de Candomblé”.


O percurso foi dividido em seis módulos, que conduzem o visitante por temas ligados à presença de Omolu na diáspora, aos conhecimentos ancestrais e às formas de cuidado desenvolvidas nos terreiros. As fotografias funcionam como testemunhos de práticas coletivas e de uma memória que permanece transmitida entre gerações, aproximando documentação, arte e patrimônio imaterial.
Um dos símbolos presentes na narrativa é o deburu, nome pelo qual a pipoca é conhecida em diferentes contextos ligados às tradições de matriz africana. Associado a Omolu, o alimento aparece na exposição não apenas como elemento ritual, mas como parte de uma construção simbólica que remete à cura, à passagem e à renovação.
A mostra também nasce de uma construção coletiva, com a participação de diferentes casas de candomblé, entre elas Ilê Axé Obá Afonjá Alafin Oyó, Unzó Mutalecí Raízes da Gomeia, Ilê Axé Oiá Dejí, Casa de Sultão e Ilê Axé Ogunja Tiluaê Orubaia. Ao ocupar um museu dedicado à preservação e à difusão da arte, “Flores que Curam” amplia a visibilidade de conhecimentos e práticas que fazem parte da formação cultural da Bahia.
Fotos: Fernando Barbosa/IPAC
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