A temporada vivida por Lina Bo Bardi em Salvador, entre 1958 e 1964, será um dos destaques da maior exposição já dedicada à arquiteta na China. Segundo informação da Folha de S.Paulo, confirmada por este site, a mostra “Lina Bo Bardi: The Poetics of Survival”, em cartaz no Power Station of Art, em Xangai, reunirá croquis, maquetes, móveis, fotografias e documentos que revisitam a trajetória da ítalo-brasileira, com atenção especial ao período baiano.
Foi em Salvador que Lina desenvolveu um dos capítulos mais importantes de sua carreira. À frente da criação do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), instalado no Solar do Unhão, ela liderou um intenso trabalho de valorização da cultura popular e promoveu centenas de exposições, cursos, projetos e ações culturais que ajudaram a redefinir o papel da arquitetura e dos museus no Brasil.

Mais do que um período profissional, a passagem pela Bahia transformou profundamente seu pensamento. Lina Bo Bardi costumava dizer que foi aqui que “encontrou o Brasil”. O contato com a arquitetura colonial, os saberes populares, o artesanato e a cultura afro-brasileira influenciou de forma decisiva sua produção, tornando a Bahia um dos pilares de sua obra.
Essa experiência ultrapassou as fronteiras do estado e moldou projetos que se tornariam referências mundiais da arquitetura, como o Sesc Pompeia, em São Paulo. Agora, décadas depois, é justamente esse capítulo baiano que ganha projeção internacional em uma das mais importantes instituições de arte contemporânea da Ásia.
A homenagem reafirma a importância da Bahia na trajetória de uma das arquitetas mais influentes do século XX e reforça o reconhecimento internacional de um legado construído entre o Solar do Unhão, o Centro Histórico de Salvador e a cultura popular que tanto inspirou Lina Bo Bardi.
Na foto: Coleção de arte popular de Lina Divulgação
