A peça Os irmãos Timótheo da Costa, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília, se tornou realidade graças a um conselho do artista baiano Emanoel Araújo. Quem conta é o diretor, roteirista e produtor carioca Luiz Antonio Pilar, que dirige o espetáculo. A ele, Emanoel, que foi escultor, desenhista, ilustrador, figurinista, gravador, cenógrafo, pintor, curador e museólogo, deu a ideia de levar ao palco a história desses dois artistas do início do século 20, nascidos no Rio de Janeiro e cujas trajetórias foram apagadas pelo racismo estrutural.
Misturando realidade e ficção, a peça acompanha Irene, uma pesquisadora contemporânea que investiga a vida da dupla, revelando os desafios enfrentados por artistas pretos na belle époque carioca e os impactos do racismo na saúde mental. Com trilha sonora ao vivo baseada na obra do maestro Henrique Alves de Mesquita, avô dos artistas, o espetáculo celebra a memória, a resistência e o legado da cultura preta nacional.
“Eles não morreram pobres, mas foram totalmente invisibilizados. Hoje, os grandes especialistas em artes plásticas no Brasil têm os caras em grande conta, mas a população, principalmente a comunidade preta, desconhece completamente”, disse o diretor ao jornal Correio Braziliense. Emanoel Araújo chegou a dedicar uma exposição aos artistas no Museu Afro Brasil, hoje Museu Afro Brasil Emanoel Araújo.
Localizado no Parque Ibirapuera, em São Paulo, o museu ocupa 12 mil m² no Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega, projetado por Oscar Niemeyer, e abriga um acervo com mais de 8 mil obras. Emanoel morreu em 2022.
