O Recôncavo Baiano atravessou a Marquês de Sapucaí na madrugada desta terça-feira (17), conduzido pela Beija-Flor de Nilópolis, que transformou a avenida em território simbólico de memória, fé e afirmação cultural.
A escola da Baixada Fluminense levou para o desfile do Grupo Especial o enredo dedicado ao Bembé do Mercado, tradicional candomblé de rua realizado em Santo Amaro da Purificação desde 1889 — um ano após a assinatura da Lei Áurea.
Mais do que reconstituir uma celebração religiosa, a apresentação evocou a ocupação do espaço público pelo povo negro em um período em que a liberdade recém-declarada ainda não significava igualdade plena. A narrativa visual alternou mar e sagrado. Oxum e Iemanjá foram representadas em alegorias que combinavam delicadeza e imponência.










Na comissão de frente, um barco cenográfico surpreendeu ao se metamorfosear em Mãe d’Água, enquanto bailarinos encenavam pescadores em busca de sustento material e espiritual — metáfora que costurou o desfile do início ao fim.
A concepção artística foi assinada por João Vitor Araújo, carnavalesco responsável pelo enredo que homenageou Laíla e conduziu a azul e branco ao título no último Carnaval.
Fotos: Beija Flor/Redes Sociais
