Dona de uma trajetória marcada por lutas e conquistas, Andrea Nascimento, chef executiva e diretora comercial do Solar Gastronomia, localizado no Rio Vermelho, será uma das homenageadas do Prêmio Maria Felipa — uma das mais importantes honrarias concedidas a mulheres negras que se destacam na luta por direitos e no combate ao racismo. A cerimônia acontece nesta quinta-feira, 24 de julho, às 17h, no Centro de Cultura da Câmara de Salvador.
“Uma felicidade poder ser honrada e premiada. Como empresária e chef negra, a luta é constante na busca do nosso posicionamento e independência”, afirma Andrea. O Prêmio Maria Felipa, conduzido pela vereadora Ireuda Silva (Republicanos), marca o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, e o Dia Nacional da Mulher Negra.
Nos últimos anos, centenas de mulheres negras foram homenageadas, incluindo Kenia Maria, defensora dos direitos das mulheres negras na ONU; a embaixadora de Gana no Brasil, Abena Busia; e a cantora e ministra da Cultura, Margareth Menezes.
Em 2024, a honraria completou 15 anos de existência como uma das mais relevantes homenagens concedidas a mulheres negras que se destacam na luta por direitos e no enfrentamento ao racismo. A vereadora Ireuda Silva, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e vice-presidente da Comissão de Reparação da Casa, reforça a importância da premiação.
“A Bahia e o Brasil ainda sofrem com a discriminação racial, que mutila direitos fundamentais. Nesse contexto tão cruel e que ainda guarda resquícios da escravidão, as mulheres negras são duplamente vitimadas, já que o preconceito tem natureza racial e de gênero”, pontua a vereadora.
Maria Felipa
Maria Felipa de Oliveira foi uma marisqueira e pescadora que viveu na Ilha de Itaparica. Assim como Joana Angélica e Maria Quitéria, ela lutou pela Independência da Bahia. Em 1823, liderou um grupo com mais de 200 pessoas — entre elas, indígenas tupinambás e tapuias, além de outras mulheres negras — nas batalhas contra as tropas portuguesas que atacavam a ilha. Conta-se que o grupo foi responsável pela queima de pelo menos 40 embarcações inimigas.
Crédito: Leonardo Freire
