O Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), a segunda instituição arquivística mais importante do país, anunciou o lançamento de um projeto que restaurará, através de técnicas como a IA, imagens de pessoas escravizadas durante os períodos da Bahia Colonial e Imperial. A iniciativa visa humanizar esse legado, transformando descrições burocráticas em retratos póstumos carregados de dignidade.
A condução do projeto está a cargo de Jorge X, diretor do APEB, com a gerência de Adailton Silva, responsável pela Coordenação de Preservação da entidade. O projeto terá três etapas: digitalizar os passaportes de pessoas escravizadas e libertadas e realização da transcrição paleográfica, a fim de dar lastro às descrições que serão levantadas e interpretadas; o levantamento iconográfico dos dados coletados, de pesquisas acadêmicas e também em trabalhos visuais como os de Jean Baptiste Debret (no período de 1816 a 1831) e as fotografias de Marc Ferrez (de 1882 a 1885).

Por fim, a terceira parte é a criação dos comandos que integrarão esses dados documentais e visuais, alimentando os modelos generativos da IA que serão utilizados para a elaboração final dos retratos.
O lançamento oficial do resultado de “Fragmentos de Memória” está previsto para novembro deste ano.
Para Jorge X, o significado histórico e emocional da ação é imprescindível para o legado dessas pessoas. “Este projeto transforma documentos frios em rostos cheios de histórias. É um ato de justiça simbólica”, afirma o diretor do APEB.
Crédito: divulgação/FPC
