Tradicionais blocos de samba, reggae, afro e afoxé do Carnaval de Salvador estão ameaçados de não desfilar. Eles foram colocados na suplência do edital Ouro Negro, do governo da Bahia, o que significa que poderão não receber a verba esperada para a folia em 2026.
Ao jornal Correio, o Ara Ketu prevê a redução de dias de desfile caso não haja diálogo com a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA). Em nota, o bloco informou que sofrerá grande impacto: “Somos um bloco sem vendas de fantasias. Essa verba do Ouro Negro é utilizada para a operação do bloco acontecer. Nosso público-alvo são os moradores do Subúrbio e buscamos sempre dar o melhor para eles, com um trio de primeira qualidade, carro de apoio e segurança. Sem essa verba, teremos que rever todo nosso projeto e a comunidade do Subúrbio ficará sem ter o seu dia de desfile”.
Outros que poderão ser prejudicados, por terem ficado na suplência, são o Pagode Total, Bankoma, A Mulherada, Mundo Negro, Banana Reggae e Bloco da Saudade. Segundo eles, houve uma mudança na regra de remanejamento do edital que impediu que os blocos mudassem de categoria.
A Secult-BA explicou ao Correio que o edital Ouro Negro é construído de modo democrático a partir de consultas públicas, diálogo com representantes das entidades e oficinas de orientação e que as entidades concorrem nas faixas que elas se inscrevem. “Conforme consta no edital, o remanejamento poderá acontecer caso haja sobra de vaga em alguma faixa. Como em todos os editais, os classificados são convocados de acordo com o número de vagas previstas. O excedente é categorizado como suplente, conforme o edital.”
A pasta não esclareceu o que motivou a mudança no antigo sistema de remanejamento de vagas e se pretende se reunir com os blocos afetados.
(Foto: Bloco Afro Bankoma/ Divulgação GOV BA)


