Uma cidade onde, pouco a pouco, os moradores deixam de ser humanos e passam a se transformar em rinocerontes. É a partir dessa situação absurda que o grupo português Teatro da Garagem constrói “O Rinoceronte”, espetáculo que chega a Salvador nos dias 2 e 3 de outubro, com sessões às 19h no Museu de Arte da Bahia.
A montagem, dirigida por Carlos J. Pessoa, parte do clássico do dramaturgo franco-romeno Eugène Ionesco para olhar para questões que permanecem atuais. A transformação dos personagens serve como ponto de partida para discutir a força dos movimentos de massa e a dificuldade de manter uma posição individual diante da pressão coletiva.
Ao longo da narrativa, temas como identidade, unanimidade e extremismo aparecem associados ao processo de transformação dos moradores. A peça usa o absurdo e o humor presentes na obra de Ionesco para tratar de situações que ultrapassam o universo da ficção.



A montagem também coloca em questão o que acontece quando a adesão ao pensamento dominante passa a se sobrepor às escolhas individuais. Nesse contexto, preservar a própria identidade se torna uma forma de resistência.
A ideia de resistência atravessa ainda o desfecho proposto pelo espetáculo. Mesmo diante da transformação que se espalha pela cidade, a montagem mantém a possibilidade de alguém romper com a lógica coletiva e defender a própria liberdade e dignidade.
“O Rinoceronte” é uma produção do Teatro da Garagem, de Lisboa, em parceria com o Teatro Vila Velha. Em Salvador, os ingressos custam R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada) e estão disponíveis pelo Sympla.
Fotos: Reprodução
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