Antes de virar canção, muita coisa precisou ser enfrentada por Gonzaguinha. A censura, a desigualdade e a própria formação do compositor atravessaram sua obra e ajudam a explicar a força política de suas músicas. É por esse caminho que segue “Gonzaguinha, Da Maior Liberdade”, documentário de Susanna Lira que estreiou nesta quinta-feira (3) no Cinema Glauber Rocha, em Salvador.
Premiado com o Kikito de melhor longa documental no Festival de Gramado, o filme não pretende recontar a vida de Luiz Gonzaga Jr. como uma linha do tempo. O roteiro de Rodrigo Alzuguir escolhe outro percurso: investigar as experiências que moldaram o pensamento do artista e entender como elas apareceram nas músicas que ele deixou.
A censura é um dos capítulos centrais dessa história. Durante a pesquisa, Susanna Lira se deparou com o registro de 52 obras censuradas de Gonzaguinha. O número levou a diretora a aprofundar a relação entre a produção artística do compositor e sua trajetória pessoal, marcada por uma infância no Morro de São Carlos, no Rio de Janeiro, sob os cuidados de padrinhos, e por uma passagem por internato.
O documentário também encontra maneiras de reconstruir momentos para os quais não existem registros disponíveis. É o caso de duas entrevistas de Gonzaguinha ao jornal O Pasquim, recriadas pelo ator André Dale. As cenas foram assumidas pela direção como representações, deixando claro que não se tratam dos áudios originais.
Para construir a atmosfera do Rio de Janeiro que atravessou a formação do compositor, Lira também levou as câmeras para as ruas. Trabalhadores e transeuntes do centro carioca aparecem no filme como parte dessa reconstrução, aproximando o passado de Gonzaguinha de uma realidade urbana que continua em transformação.
Com 78 minutos e classificação indicativa de 12 anos, “Gonzaguinha, Da Maior Liberdade” chega aos cinemas em um momento que, para a diretora, também favorece a discussão sobre consciência social e política. O filme tem distribuição da Synapse Distribution e conta ainda com Ernesto Leão e Gedivan de Albuquerque no elenco. Em Salvador, a produção pode ser vista no Cinema Glauber Rocha.
Fotos: Reprodução
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