O artista visual e pesquisador baiano Roque Boa Morte inaugura, no próximo dia 6 de junho, a exposição “Bembé: A Festa dos Olhos do Rei” no Museo Morelense de Arte Contemporáneo Juan Soriano (MMAC), em Cuernavaca, no México. Reconhecido como um dos principais espaços dedicados à arte contemporânea no país, o museu passa a receber uma obra profundamente conectada às tradições afro-baianas e às memórias coletivas de Santo Amaro, no Recôncavo.
A mostra parte do universo simbólico do Bembé do Mercado, celebração que reúne dezenas de terreiros em cinco dias de rituais públicos marcados por xirês, cortejos e oferendas dedicadas a Iemanjá e Oxum. Reconhecido como Patrimônio Imaterial da Bahia, o Bembé se tornou, ao longo das décadas, uma das manifestações mais emblemáticas da resistência afro-religiosa no Brasil. Na exposição, Roque traduz essa dimensão espiritual e comunitária em imagens, registros e construções visuais que atravessam memória, território e ancestralidade.



Apresentada inicialmente em Santo Amaro durante as celebrações do Bembé, em maio de 2025, a exposição inicia agora sua circulação internacional. Após a temporada mexicana, o projeto seguirá para os Estados Unidos, com programação prevista para Nova York em outubro de 2026 — cidade onde o artista também vive e desenvolve parte de sua pesquisa e produção artística.
Nascido em Santo Amaro, Roque Boa Morte construiu sua trajetória entre fotografia, antropologia visual e investigação sobre diáspora africana, decolonialidade e direito à imagem. Mestre em Estudos Étnicos e Africanos pela UFBA, o artista vem consolidando um trabalho que aproxima arte contemporânea e narrativas afro-brasileiras, ampliando a presença dessas experiências em circuitos internacionais.
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